TAMBATAJÁ DE MARRÍ

Tambatajá de Marrí, 2013 – Belém/PA

Rudá Miranda, Diretor, roteirista, produtor e editor

Tereza Miranda, produtora executiva

Erik Boccio, Cinematógrafo

Cezar Moraes. Primeiro assistente de câmera

Lucas Escócio – Assistente de direção

Micahel Pateras – segundo assistente de câmera

Eliana Pires – segunda assistente de direção

Marluce Jares – Figurino

Michelini Penaforte – Maquiagem

Aldo Cardoso – Eletricista

Letícia Cardoso – Coordenadora de produção (e atriz)

Beto Pêgo – Fotógrafo das cenas no rio de Janeiro

Jaqueline Gaia – Assistente de Produção

Betinho de Colares – Assistente de Produção

Leo Chermont – Som Direto

Shaun Burdick – Desenho de Som

 

 

“Eu sempre quis usar o universo de Colares como o pano de fundo ou mesmo como tema central de um filme, inclusive eu planejo fazer outros trabalhos relacionados a ilha. Já a lenda do Tambatajá só tem a ver por se tratar também de uma história de amor”, diz o diretor.

O roteiro, do próprio Rudá, traz doses de misticismos que nos levarão ao romance que surgirá entre um carioca, que chega a Amazônia em busca de renovação e, após fazer um tratamento espiritual, acaba encontrando um pescador da região, por quem se apaixona. A ideia  do filme foi baseada em fatos reais.

“Quando eu era criança, na ilha de Colares, existia um amigo da minha mãe que se intitulava assim ‘Tambatajá de Marri’, nome que ele mesmo havia dado para si. O filme baseia-se numa história real, vivida por ele. Eu acho que o ‘de Marrí’ foi uma invenção dele para que o seu apelido adquirisse uma conotação “chic’ ou “chique”, pois eu já pesquisei essa palavra ‘marrí’ e nunca encontrei nada. Acho que a intenção era de criar um lugar hipotético, que remetesse à França, elevando o status do apelido”, reflete Rudá.

No elenco principal estão os atores Luiz de Lemos e Milton Aires, que fazem os personagens centrais da trama, e ainda Élida Braz, André Lobato e Renato Torres. Não se trata de um curta, o filme tem mais de 40 minutos, inspirados em histórias da própria ilha. A direção de fotografia é de Erik Boccio e a produção executiva, de Tereza Miranda.

“Há também atores encontrados em Colares (inexperientes) e outros escolhidos através de audições com estudantes de teatro da UFPA. No elenco temos uns 15 atores com participação significativa, com falas, e tivemos também muitos figurantes, a maioria encontrados ali mesmo na ilha de Colares”, explica.

Rudá Miranda é paraense, filho da produtora cultural Tereza Miranda, conhecida como Tereza de Colares a quem o filme é dedicado,  e irmão de duas outras artistas, a cantora Andrea Pinheiro e a atriz clown e professora de teatro Patrícia Pinheiro, do Grupo Os Palhaços Trovadores. Ele teria nascido em Colares, em 1977, não tivesse ocorrido o pânico causado pelas tais aparições dos discos voadores na ilha, levando muitos moradores irem embora, de lá.

“Nasci na época do Chupa Chupa – ou discos voadores – que assombravam a ilha. Minha mãe, receosa, me veio “ter” em Belém, mas logo depois voltou para a ilha. Eu cresci aqui no Pará”, diz Ricardo Miranda (nome original) que, aos 16 anos foi morar no Rio de Janeiro e com 21 partiu para os Estados unidos para trabalhar como acrobata num circo americano. “Nesse Circo, o Ringling Brothers, eu trabalhei numa turnê de quase três anos e viajei o país inteiro”, conta.

Encerrada a circulação circense, Ricardo Miranda (seu nome de batismo) resolveu ficar nos EUA para estudar cinema, um sonho que tinha desde a infância. “Trabalho com cinema desde 2007, mas de forma esporádica. Tenho experiência em várias funções, como assistência de produção e edição; Já dirigi um longa filmado em Los Angeles, que estou editando agora e outros vários curtas, inclusive dois filmados em película. Fiz videoclipes e comerciais, mas o que me interessa realmente é o sonho de fazer um cinema autoral”, continua.

“Foi um lugar fácil para filmar. Em Los Angeles e qualquer local dos USA uma produção precisa de inúmeras autorizações. A indústria do cinema nos USA, principalmente na Califórnia nos impõe uma série de limitações que só serão superadas com dinheiro. Nunca uma produção de cinema é simples e filmar na Amazônia prescinde de uma boa logística, no entanto, até mesmo pela relação de Rudá com a ilha, acabou ajudando para que tudo ocorresse com mais tranquilidade, bem diferente do que ele vem experimentando em trabalhos feitos nos Estados Unidos.

Lá, precisamos de dinheiro pra tudo. É também um processo burocrático. Aqui nos filamos na maior tranquilidade. Utilizamo-nos de luz natural para 95% das cenas, cenários naturais e figurantes da própria Colares. Foi tudo muito divertido; muito diferente do processo convencional de um “set” de filmagem. Filmar na Amazônia, nestas condições, nos proporcionou certa espontaneidade criativa que acabou por contribuir para a estética e filosofia de produção do filme”, revela.

A ilha de Colares por si só já nos traz o fator inusitado. Rudá diz que muitas coisas “interessantes” aconteceram durante as filmagens e destaca dois momentos. “Aconteceram muitas coisas maravilhosas, como a cena que simulamos uma partida de futebol onde o personagem Ossanha tenta provar que mesmo sendo homossexual “também” tem a sua masculinidade.

Filmamos de um modo altamente espontâneo e criativo… na realidade filmamos uma verdadeira partida de futebol, pra valer, com os atores no meio, até eu joguei … (risos). Outra cena curiosa foi uma cena que interpretamos uns rituais performáticos que ocorriam no sítio da minha mãe em Colares. Iluminamos a cena com luzes de fogueira (já que não existe luz elétrica no meio da floresta). A cena foi um verdadeiro ritual por si só…”

Depois de toda esta jornada, tudo levou pouco mais de um ano entre a produção e a estreia do filme, a única coisa que Rudá quer é mostrar o resultado para um público amplo “Pretendo exibi-lo o máximo possível. Depois que um filme fica pronto a gente quer mostrá-lo e é essa a intenção. O tamanho do filme, a sua duração (44min), porém, é muito peculiar, isso dificulta qualquer intenção de comercializá-lo”, diz.

E enquanto o Tambatajá de Marrí circula Rudá tenta viabilizar outras possibilidades de trabalho com audiovisual por aqui.

“Conheci pessoas aqui que estão muito a fim de fazer cinema e isso é ótimo. Tenho outros projetos para a Amazônia e para Colares, mas eles ainda são incipientes e esperam que ocorram logo. E se eles rolarem com certeza irei trabalhar com algumas pessoas que estiveram no set de filmagem de Tambatajá de Marrí”, antecipa o diretor.

O filme teve um baixíssimo orçamento de pouco mais de 20 mil reais e contou com uma equipe que já trabalhos importantes no circuito audiovisual paraense, além de outros profissionais convidados por Rudá.  A produção teve apoio da Sol Informática, da Fundação Tancredo Neves, RSCA Funds to Research. “E também de outros investidores como Robério Oliveira, Gabriel Chaves, Ricardão (o seu Hippie) e Conan Transportes Fluviais”, finaliza Rudá.

Fonte: Holofote Virtual

Tambatajá de Marrí from ricardo Miranda on Vimeo.