ROGER ELARRAT

As entrevistas desta seção foram realizadas para dissertação de mestrado de Ramiro Quaresma da Silva, idealizador e curador do site, para o Programa de Pós-graduação em Artes (PPGArtes) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), intitulada “O site cinematecaparaense.org e a preservação virtual do patrimônio audiovisual: uma cartografia de vivências cinematográficas”.

rogerENTREVISTA COM ROGER ELARRAT – AGOSTO 2014 – via e-mail

Seu nome completo, local e data de nascimento.

Roger Elarrat do Carmo, nascido em Belém do Pará em 02 de março de 1981.

Fale sobre sua formação teórica, técnica e prática em cinema.

Eu sou jornalista, formado pela UFPA. Fiz uma série de cursos em Belém, a maioria no IAP/ NPD. Estudei direção de arte, roteiro, teoria da edição, cinema digital, direção cinematográfica (teoria e prática), além de cursos voltados para editais, como oficinas para o DOCTV II e DOCTV III, oficina de elaboração de projetos para minisséries.

Atuo na área desde os meus 18 anos. Primeiramente como realizador independente, assistente de direção, editor de imagem e aos meus 25 anos comecei a dirigir projetos premiados em editais. Realizei animações, documentários, ficções, videoclipe, experimental.

Você já visitou, pesquisou ou assistiu filmes em uma cinemateca ou arquivo de filmes?

Sim, já fiz várias pesquisas no arquivo da TV Cultura do Pará.

Quais suas principais referências na criação cinematográfica? Alguma do estado do Pará?

As referências internacionais no meu trabalho são: o cinema de Terry Gilliam, Andrei Tarkovsky, Wes Anderson e Win Wenders, mas é algo que varia de projeto para projeto. A referencia local é o trabalho de Luiz Arnaldo Campos que, embora não seja paraense, produz filmes no Pará e em muito exerceu influência no meu estilo e no tipo de cinema que tenho interesse em desenvolver.

Quais foram suas realizações, e também participações em produções, em cinema e audiovisual? E no momento atual?

Eu realizei os curtas independentes: “Substância”, “De Solidão em Solidão”, “Outras vozes: A Marujada”, “Urbem” ,  “Perfume, sobra e um drink de veneno”,“Vernissage…”e “Sem Fastio”.Através de editais, realizei: “Visagem!”, “Chupa-chupa: A história que veio do Céu”, “Eternamente Frio”, “Miguel Miguel”, “Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo coração de João Batista”. Participei dos filmes de outros realizadores: “Matintapereira”, “Matinta”, “A revolta das Mangueiras”, “Icamiabas”, “Tu Conheces?”, “Dias”, “O Amor não tem sexo”. Atualmente desenvolvo projetos de séries para Televisão e o longa-metragem “Marabá”. 

Quais os principais festivais e mostras que já participou?

O 2º Fest Vídeo, 9º EXPOCOM, Amazônia Doc III e IV; 65º Festival de Cannes, 3º Festival Pachamama, Mostra Curta Fantástico, 3º Festival Brasileiro do cinema de Belém, Anima Mundi, Mostra IV de cinema da Amazônia.

Onde estão guardados seus filmes, material bruto e cópia final? Onde os pesquisadores podem encontrá-los?

Alguns filmes meus (os mais antigos) tenho apenas cópias em DVD, além de estarem no acervo da TV Cultura do Pará. Os trabalhos mais recentes estão todos na Web (Vimeo e Youtube). Chupa-chupa, Miguel Miguel e Jambeiro possuem cópias na Cinemateca Brasileira, como parte da prestação de contas dos projetos. Eu guardo backup de todos em meu escritório na produtora Visagem Filmes. O “Jambeiro…”possui cópia em 35mm que também está guardada na Visagem Filmes.

Como você observa o cinema e o audiovisual paraense contemporâneos?

Eu vejo que o cinema paraense está se expandindo, principalmente em qualidade. As produções independentes têm cada vez mais cuidado com a estética, a técnica e a linguagem. As obras produzidas através de editais também têm sido cada vez mais frequentes. Entretanto, vejo que nossa busca e afirmação da identidade local no cinema ainda não está consolidada. Acredito que nos próximos anos seja possível que obras do Pará alcancem mais públicos quando atingirem essa maturidade em relação à nossa identidade e a forma como ela é registrada nas obras audiovisuais.

Como você financiou seus projetos em cinema e qual sua opinião sobre os editais e fontes de financiamento públicas atuais.

Todos os meus projetos foram realizados através de Editais, como o DOCTV III, curta-Minc 2009, Edital de curtas Petrobrás, bolsa artística IAP, edital de Minisséries FUNTELPA, Patrocínio direto via Banco da Amazônia. Hoje  é possivelmente o melhor cenário para financiar projetos porque os editais se multiplicaram com  a criação e ampliação do Fundo Setorial do Audiovisual, além de outros editais lançados anualmente pela iniciativa privada.

Sua opinião sobre a substituição da película (filme) pelo suporte digital para captação e projeção de cinema.

Eu vejo que era um processo inevitável porque a finalização (edição, correção de cor etc.) já se tornou digital há 15 anos. A projeção digital vem se ampliando a cada ano, o que barateia custos. A captação digital sempre foi significativamente mais barata que a feita em película, embora em qualidade inferior. Mas hoje, essa equivalência em qualidade à película já é uma realidade com a alta taxa dinâmica (numero de tons de cinza possíveis entre o preto e branco) e a resolução de 2 a 4k. Assim, o suporte digital em qualidade e em custos tende a beneficiar o meio como um todo. A grande questão, porem, é a discussão quanto ao arquivamento permanente em digital, o que ainda não parece 100% seguro.

Qual sua opinião sobre a web como forma de difusão do cinema? Você tem experiências de compartilhamento de conteúdo autoral nesse meio?

Eu tenho usado canais de vimeo e youtube para divulgar o meu trabalho e vejo que é uma forma de possibilitar que as obras sem distribuição alcancem ainda mais públicos. Muitas vezes, é através de exposição na web que filmes pequenos e independentes alcançam grande visibilidade e projetam os artistas envolvidos.

 Entrevista realizada com Roger Elarrat, no dia 20/08/2014