RODOLFO MENDONÇA

As entrevistas desta seção foram realizadas para dissertação de mestrado de Ramiro Quaresma da Silva, idealizador e curador do site, para o Programa de Pós-graduação em Artes (PPGArtes) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), intitulada “O site cinematecaparaense.org e a preservação virtual do patrimônio audiovisual: uma cartografia de vivências cinematográficas”.

 

ENTREVISTA COM RODOLFO MENDONÇA – AGOSTO 2014 – via e-mail

 

r mendoncaSeu nome completo, local e data de nascimento.

Rodolfo Mendonça Araújo de Mendonça dos Santos, Belém, 09-07-1986

 

Fale sobre sua formação teórica, técnica e prática em cinema.

Formei-me publicitário em 2009, mas nunca atuei como. As matérias que mais me empolgavam eram fotografia e montagem, desde o início. Enquanto que todo mundo se animava com design, mercado, propaganda, o meu processo era para uma outra parte que eu ainda não tinha noção do que era. Querendo ou não, meu deu bases e um certo conhecimento para que eu pudesse desenvolver mais tarde o que eu poderia chamar de formação de cinema. A verdade é que desde criança eu fiz micro filmes. Meu tio tinha uma Câmera de vídeo que imprimia direto no VHS e sempre que tinha oportunidade eu filmava meus primos em cenas inusitadas, algumas até dirigidas. Foi ai que eu descobri o principio da montagem, as vezes eu pressionava o “Rec” e alguns segundos depois a maquina parava de gravar sozinha, era necessário apertar o botão novamente. E quando íamos assistir o resultado no Video Cassete o que víamos era uma imagem cheia de Jump Cuts.

Passado esse tempo de descobertas pós-universidade , eu tive um estalo de que eu poderia trabalhar com audiovisual-cinema. Fiz duas oficinas de “Cinema de Guerrilha” na falecida Caiana Filmes e me aproximei da cena cineclubista de Belém. Foi ai que em 2011 larguei o emprego e comprei uma 5D Mark II, que na época era a câmera da moda dos cineastas independentes, e realizei um curta. A partir daí foram aproximadamente 30 trabalhos diretos ou indiretos atuando de várias formas, fotografia, edição, câmera, áudio e por ai vai, de documentários a videoclipes, de propaganda a cinema.

 

Você já visitou, pesquisou ou assistiu filmes em uma cinemateca ou arquivo de filmes?

Uma vez eu tive que fazer uma pesquisa para um documentário que ia tratar de uma época passada. E o único lugar que tinha esse acervo era o meu da imagem e do som do Pará, mas na época infelizmente ele estava fechado para reformas, ou seja, não.

 

Quais suas principais referências na criação cinematográfica? Alguma do estado do Pará?

Na minha criação cinematográfica eu tenho como referencias inúmeros diretores, pintores, escritores e fotógrafos. Vicente Cecim seria uma referencia paraense, mas confesso que tá mais para uma admiração do que referencia. Talvez os homens que tenham me sacudido no Pará sejam Dalcidio Jurandir e Max Martins.  No cinema as principais fontes de ideias são os delírios de Tarkovsky, Fuller, Angelopoulos e James Grey. Mas também inúmeras visitações a Glauber, Bressane, Mujica, Sganzerla. 

Quais foram suas realizações, e também participações em produções, em cinema e audiovisual? E no momento atual?

 Curta Metragem

“Luz” – Fic, 9min (Assistente de Direção e Still, 2011), “Verônica Não Deita” – Fic, 8min (Assistente de Direção e Still, 2011), “Soledad” – Fic, 8min (Direção três sequências, e Roteiro, 2011), “Kronos” – Fic, 3min (Direção, Roteiro e Montagem, 2011), “Creche Frei Daniel” – Fic, 20min (Direção, Fotografia e Montagem, 2011)

“Estudos sobre Erotismo Vol. I” – Fic, 4min (Direção de Fotografia, 2012)

“Escorpião, Sagitário e Câncer” – Fic, 5min (Direção de Fotografia e Montagem, 2012),  “Um Olhar Ribeirinho sobre a Educação Marajoara” – Doc, 15min (Argumento e Montagem, 2012), “Do Amor” – Fic, 4min (Direção e Montagem, 2012)

“Em” – Fic, 5min (Direção de Fotografia e Montagem, 2013), “Entre Portas” – Fic,   9min (Assistente de Fotografia, 2013), “Espelho e Silêncio” – Fic, 9min (Direção, Direção de Fotografia e Montagem, 2013), “Fotodramas” – Fic, 21m (Direção, Direção de Fotografia e Montagem, 2013), “Janelas por Enquanto” – Fic, 3min (Argumento e Câmera).

 

Média Metragem

“O Espectador Comum” – Doc, 48 min (Câmera e Montagem, 2012), “Velhos Baionáras, Tesouros Vivos” – Doc, 47min (Montagem, 2012), “A Ilha – Fic, 60 min (Câmera, Direção de Fotografia e Montagem, 2012-2013), “Orla” – Fic, 40min (Câmera, Direção de Fotografia 2015 ).

 

Teatro

“Nó de 4 Pernas” – Cinema e Teatro (Direção Conjunta, Câmera e Montagem),

“7 Entrelaços” – Dança, Teatro e Cinema – (Direção Cinematográfica e Montagem, 2012)

 

Propaganda

“A Beleza da Fé” – 30 seg (Câmera e Montagem), “O Ponteio do Látex” – 2min (Som e Montagem)

 

Videoclipes

“Outra Vez” – Camila Honda (Câmera e Montagem), “Tamba-Tajá” – Camila Honda (Câmera e Montagem), “Expresso 2222” – Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro (Câmera e Montagem), “O Riso e a Faca” – Camila Honda e Felipe Cordeiro (Câmera e Montagem), “Dumb” – Reebs (Câmera e Montagem), “Gesturing Goodbyes”  – Reebs (Câmera e Montagem)

 

Quais os principais festivais e mostras que já participou?

Participei de alguns festivais e mostras, não me recordo os nomes! Talvez o de maior expressão tenha sido no FAB de 2013 concorrendo com melhor fotografia no curta “Espelho e Silêncio”. A mostra de maior expressão foi “Mostra do Filme Livre” de 2013  com “A Ilha”.

 

Onde estão guardados seus filmes, material bruto e cópia final? Onde os pesquisadores podem encontrá-los?

Os filmes, em sua maioria, estão disponíveis na internet. Acredito que eu tenha uma cópia final de todos.  Ano passado, por conta de um HD quebrado, eu perdi vários dos brutos, projetos e “negativos”, paraticamente todo material do Quadro a Quadro. O único que ainda tenho completo é o “Fotodramas”.

 

Como você observa o cinema e o audiovisual paraense contemporâneos?

Minha percepção é: uma potência absurdamente forte! Tanto que voltei para Belém depois de passar 2 anos no Rio de Janeiro. Sinto que aqui é a grande promessa, hoje, do Brasil. Mas ainda é uma potência, precisa de alguma coisa para deslanchar. Algo como o que acontece em Pernambuco, não só de reconhecimento, mas também de qualidade. Faltam investimentos? Incentivos? Credibilidade? Não sei responder.

 

Como você financiou seus projetos em cinema e qual sua opinião sobre os editais e fontes de financiamento públicas atuais.

Salvo um ou dois, todos os projetos que participei foram de forma independente. Com apoio de algumas instituições como o IAP, IFPA, UFPA e por aí vai. Acho que o caminho dos editais vai perdurar por bastante tempo, não consigo ver uma grande empresa brasileira patrocinando um filme por amor a arte, ou por livre espontânea vontade. Até a negociação é complicada, ainda mais se não tiver um grande apelo ao público, mas isso a gente já sabe. O Rodrigo Aragão, cineasta do Espirito Santo que trabalha com filmes de horror, conseguiu esse feito: produzir filmes com orçamento superior a um milhão de reais sem apoio do governo.

 

Sua opinião sobre a substituição da película (filme) pelo suporte digital para captação e projeção de cinema.

Não tenho nem o que comentar. Sou adepto da captação digital por motivos óbvios. Facilitou muito a vida de qualquer cineasta pobre. Estive em uma palestra no Rio de Janeiro com a cineasta brasileira Ana Carolina e ela falou um dos maiores absurdos que eu já ouvi na vida: “Captação digital não é Cinema” e deu os seus motivos, dentre eles banalização, fácil acesso, muitas produções “ruins”, mas o principal: a mágica do cinema está no processo da película, da revelação, dos 24 frames. Balela, um discurso engessado e ultrapassado. A diferença, para mim, entre as duas plataformas é que ao invés de um papel fotossensível onde a luz é interpretada, você tem um sensor fotossensível que imprime em binários.  Cinema sempre acompanhou as pesquisas tecnológicas, nada mais lógico que o “Seu Sony” e o “Seu Canon” estejam a frente nessas questões. Tudo muda a textura, a luz, os problemas, a montagem, a finalização, mas não deixa de ser cinema. 

 

Qual sua opinião sobre a web como forma de difusão do cinema? Você tem experiências de compartilhamento de conteúdo autoral nesse meio?

Faço parte de um coletivo de cinema que compartilha principalmente as produções via internet. Tem um amigo que apelida de “pós cinema”. Você entra no vimeo hoje e assiste verdadeiras pinturas em movimento! Acredito muito no poder da internet e acho muito bacana quando cineastas independentes quebram com essa lógica dos festivais. Você demora 1-2-3 anos para finalizar seu filme e a exibição só vai ocorrer no festival tal daqui a 6 meses. Ok, é o seu trabalho, sua forma de garantir um retorno artístico-monetário, mas parece-me que a obra fica em terceiro plano em muitos casos. 

Entrevista realizada com Rodolfo Mendonça, no dia 23/08/2014

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