Documentários

LANÇAMENTO DO DOC “PARADOXOS, PAIXOES E TERRAFIRME” de Adriano Barroso

LANÇAMENTO DO DOC PARADOXOS PAIXOES E TERRAFIRME – MACIEIRA FILMES.
DIA 26 DE OUTUBRO, NO CORAÇÃO DA T.F. (BREVE MAIS INFORMAÇÕES)

Roteiro e direção: Adriano barroso
Fotografia e montagem: Mario Costa.
Câmeras: Well Maciel, Marcelo Lelis, Marcelo souza.
Finalização de som: Leo Chermont.
Produção: Lidiane Martins, Betania Souza e Monalisa Paz.

Na celebração da semana santa, um grupo de artistas envolve a comunidade da Terra Firme para a apresentação de uma peça baseada no drama da paixão de cristo, pelas ruas da Terra Firme. O espetáculo faz parte das inúmeras ações do projeto do grupo Ribalta que ha 40 anos trabalha com teatro reunindo jovens em situação de risco, tirando-o das ruas, como um ato de cidadania.

Filme do mês // Dez.2015 – “Outubro.Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro

12291063_1273687232658287_7399152472181591060_oCompartilhar vídeos é um gesto de afeto e uma intuitiva ação de preservação da memória. Tive a prova dessa constatação no no dia 09 de Dezembro quando assisti no Cinema Olympia, que dispensa argumentos de sua importância histórica e cultural em Belém, a primeira exibição pública do documentário colaborativo “Outubro. Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro com produção da Rede Cultura de Comunicação. Foi uma sessão emocionante pra mim e não apenas por conta do apelo do Círio de Nazaré, tema que nunca se esgota tamanha a complexidade da manifestação, mas por ver na grande tela do cinema um sucessão de vídeos em sua maioria gravados por dispositivos móveis. Carregam em sua poética uma subjetividade e uma naturalidade que uma equipe de cinema dificilmente consegue apesar de muitas vezes ter uma imagem tremida e um som ruim, gerando a dúvida entre a exclusão e o compartilhamento da nossa memória.  Nesse sentido escolher compartilhar é escolher guardar.

Nunca se fez tanto vídeo e nunca os processos de realização e distribuição audiovisual foram tão democráticos. São milhões por dia subindo para a nuvem e para as redes sociais, muita tosqueira claro, mas também culinária, games, ativismos, festa de aparelhagem, denúncias, gatinhos fofos e bebês comendo papinha. Pra que tanto vídeo meu Deus?! Para que nos (re)conheçamos enquanto gente, que vive em um mundo sem luz direcionada e rebatida, sem microfone de lapela, sem decoração de set, maquiagem ou figurinista. Esses vídeos reunidos no filme de pouco mais de 25 minutos de Larissa Ribeiro contam a história da nossa época e cada um deles encadeado nesta narrativa diz muito sobre nós enquanto gente. A provocação do filme era compartilhar vídeos com a hashtag #meucirioeassim ou enviar na plataforma do projeto http://ciriodoc.com.br/. Essa dinâmica proposta podia funcionar, ou não. E funcionou.

O filme feito a partir do projeto se destaca tanto pelo ineditismo da proposta quanto pela desmitificação do documentário audiovisual formal, coisa que Eduardo Coutinho fez de forma contundente ao revelar o bastidor da própria produção, e pela ousadia de romper, ou pelo menos não ter medo de tentar, com um padrão estabelecido pela ficionalização do documentário. Outro grande mérito do filme é ser um dos poucos exemplos de cinema de arquivo em nossa filmografia, que encara o todo o espectro da produção audiovisual como matéria prima de sua realização, uma opção narrativa que diz muito sobre a capacidade do realizador como pesquisador, se desprendendo de uma estética, uma gramatica própria, pra desvendar os subterrâneos das imagens.

Pedi pra Larissa responder duas perguntas sobre esse processo.

Como surgiu ideia, o desafio de propor um filme sem câmera, de arquivo, contando com as imagens de colaboradores?

O projeto está baseado no “Life in a Day”, doc sobre um dia na vida do planeta terra, feito com material de pessoas do mundo todo, produzido pelo Ridley Scott. Mas esse é um produto de muitos. É que quando a tecnologia vira hábito a gente acaba acostumando a não pensar sobre ela, porque é cotidiana pra gente. É aquele velho exemplo da criança que tenta manusear a revista como se fosse uma tela touch. A tecnologia é uma forma, que se molda ao uso que fazemos dela. Acredito profundamente nas experiências. Criar é sobre experiências. A sua e a do outro e como elas podem conversar entre si. Elevamos isso a uma grande potência quando apertamos em compartilhar. É o que tento buscar nos meus projetos. É o que busco aprender. Contar dessas novas formas é um caminho sem volta e é incrível percorrê-lo. E foi muito especial que a iniciativa de concretizar um projeto dessa tipo tenha vindo de uma emissora pública, a TV Cultura. As experimentações devem nascer nesses espaços. Então a pergunta com esse projeto foi : o que pode sair da experiência de cada um? Não tinha a menor ideia. Se seria um curta, um longa, um videoclipe. A linguagem é líquida. O bom então foi poder provar. Óbvio que quando você constrói esses projetos, especialmente pelo tempo curto de pós produção que já sabia que teria, é tentar acertar no modo como você pede. Ter uma linha básica. A nossa foi uma muito simples: a cronologia. Meia noite a meia noite. O mais bacana foi conversar com as pessoas e ver o nível de identificação delas. Muitas falaram isso. Porque um pouco cada um sentia um pedaço do seu próprio Círio nas histórias que estavam ali.

Como foi o processo de curadoria e edição desse volume de imagens brutas?

Foi assistir muita e muitas vezes o material bruto. Levantar e fazer outra coisa, para poder pensar melhor. Retomar o trabalho e pouco a pouco ir encaixando as peças. Aqui a cronologia foi importante porque ajudou muito a dar a base. Muito importante também mostrar, outros olhares que te ajudam a ver o que não vês mais. Escutar a opinião do outro e seguir. Depois aquela velha pena de deixar uma imagem boa de fora, mas saber que talvez ela não contaria o que precisas em determinado momento. Mas está ai. Depois fiquei pensando que uma experiência bacana seria disponibilizar o material bruto e ver que cortes as pessoas fariam do filme. O mundo é mash up, não? A edição que cada um pode dar. Mas isso já é outro projeto (risos). Acredito que fica é o motor da experiência. Saber que podemos provar esse método com muitos outros assuntos e sobretudo seguir experimentando.

Sobre a realizadora:

Larissa Ribeiro é Transmedia Storyteller e Produtora Audiovisual. Integrante da primeira geração do Curso de Televisão e Novos Meios, da prestigiosa Escola Internacional de Cine e TV de San Antonio de los Baños, Cuba (EICTV). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará, região amazônica do Brasil, aonde foi produtora, roteirista e diretora na TV Cultura do Pará. Trabalha com desenvolvimento de projetos para Cinema, Televisão, Internet, além de produtos híbridos e multiplataforma.

 

 

Filme do mês // Set.2015 – “Por terra, céu e mar” de Hilton Silva

Documentário que conta a história dos ex-combatentes paraenses na Segunda Guerra Mundial a partir de depoimentos e imagens históricas. O filme se iniciou com uma pesquisa para a dissertação de mestrado em Antropologia (IFCH-UFPA) de Helton Souza, com orientação de Hilton Silva, e se desdobra em livro e documentário que captou mais de 18 horas de material inédito com relatos desses paraenses que se envolveram de diversas formas no maior conflito da história da humanidade. Um capítulo pouco estudado e conhecido da nossa história que ganha com esse filme um estudo fundamental.

Image3POR terra, céu e mar: histórias e memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia. Direção geral e roteiro: Hilton P. Silva. Direção de video: Hilton P. Silva, Alan Rocha. Direção executiva: Elton Souza. Produção executiva: Hilton P. Silva, Alan Rocha, Elton Souza. Arte e edição: Renan Malato. Câmera: Alan Rocha. Belém. 2013. 26 min. Cor. Son. Filmado em HDV. Fonte de consulta: DVD do autor.

 

Filme do mês // Jul.2015 – RÁDIO 2000 de Érik Lopes

Rádio 2000, 2013, de Érik Lopes

ENTREVISTA COM O REALIZADOR ÉRIK LOPES

Como surgiu a ideia de documentar esse período específico do Rock Paraense?

Surgiu por perceber a influência que as bandas desse período tiveram na música paraense, acho que não só no rock, de hoje. Mais de 10 anos depois, muita coisa mudou no cenário, outras nem tanto. Mas dava pra perceber que quem movimenta o cenário de rock hoje na cidade estava começando naquele período, ou então só assistindo a tudo aquilo, como público. E o público que começa a conhecer hoje o cenário acabava não sabendo do que havia existido antes, sendo que foi tudo bastante essencial pra pavimentar o caminho de hoje. Daí surgiu a ideia de fazer esse registro. Ouvir os depoimentos que o pessoal da época podia já conhecer, mas que estavam sendo perdidos no tempo, porque boa parte das bandas já acabaram e algumas pessoas já se desligaram da música hoje.

Qual os referenciais pra pesquisa e os arquivos audiovisuais consultados para montar esse trajetória?

Divulgação

Nós consultamos o acervo da TV Cultura, que promovia bastante as bandas de rock nesse período. Suzana Flag, Eletrola e Stereoscope, as três bandas mais focadas no documentário, sempre estavam na programação da TV e da rádio Cultura, ou nos festivais promovidos por eles. Além disso também vasculhamos o acervo pessoal do Elder Effe, que era do Suzana Flag na época. Ele foi uma das pessoas que mais acumulou material nesse período. Qual foi o processo de produção, a equipe técnica, apoiadores? O projeto foi financiado pelo Instituto de Artes do Pará, por meio da Bolsa de Criação e Experimentação de 2013. O recurso foi essencial para realizar tudo, mas era restrito, então trabalhamos com uma equipe bem reduzida. Eu trabalhei na Direção e edição, o Zek Nascimento na produção, e tínhamos a Karina Menezes e Monique Malcher no roteiro e, depois, na assessoria de imprensa. A pesquisa foi realizada pelos 4 da equipe, já coletando material e articulando o roteiro e produção, porque o tempo para entrega do produto final do edital era bem apertado. Esse período de pesquisa e elaboração do roteiro foi o mais demorado, cerca de 3 meses, pra poder otimizar nos outros processos. Filmamos, editamos e finalizamos tudo em mais 3 meses.

Você tem ideia de seguir essa linha de documentário musical, tem muita história pra contar aqui não?

Com certeza ainda tem muito a se contar sobre a música daqui, até pelo bom momento que a música vive. E com certeza também se tem muita coisa antiga importante pra registrar que corre o risco de se perder na história. Eu tenho muita vontade de trabalhar em um documentário sobre o Rock 24 Horas, um festival que acontecia no início dos anos 90, que foi um marco (para o bem e para o mal) na história do rock local, e ainda é um fantasma que assombra quem esteve presente. E Atualmente também estou trabalhando na finalização de um especial de 10 anos do Aeroplano, que é a banda em que toco também. Além disso quero experimentar em documentários em outras áreas fora da música, que é uma coisa que devo pensar para os próximos anos.

FICHA TÉCNICA

Direção, Câmera e Edição ERIK LOPES, Produção ZEX NASCIMENTO, Roteiro e Assessoria de Imprensa MONIQUE MALCHER / KARINA MENEZES.

Sala de Cinema com o cineasta Chico Carneiro

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O cineasta paraense Chico Carneiro é o primeiro convidado do projeto “Sala de Cinema”, uma iniciativa da Cinemateca Paraense em discutir a produção cinematográfica no estado do Pará através de exibição e discussão de filmes. O evento marca uma nova fase da Cinemateca Paraense, com uma sede para reuniões, oficinas e mostras de filmes. “É um espaço intimista e aconchegante pra ver, conversar e viver o cinema de ontem e hoje, um desdobramento da pesquisa que o site realiza” diz o curador Ramiro Quaresma que recentemente defendeu a dissertação de mestrado (PPGArtes, ICA e UFPA) sobre o trabalho de preservação do patrimônio audiovisual realizado pelo site cinematecaparaense.org há sete anos.

Chico Carneiro reside hoje me Moçambique e está de passagem por Belém trazendo o último filme da pentalogia sobre os rios da Amazônia que vem realizando desde 2006 com recursos próprios durante as férias em que volta para rever sua terra natal. Chico começou sua trajetória no cinema nos anos 1970 realizando filmes experimentais em Super 8 e 16 milímetros, foi também assistente de câmera no clássico “Iracema” de Jorge Bodanzky (1976). Trabalhou com Hector Babenco em sua fase paulista nos anos 1980. Hoje em Moçambique é realizador de documentários e fotógrafo.

Sobre seu ideal cinematográfico Chico Carneiro diz: “Ao mesmo tempo essa dinâmica (de me obrigar a fazer sempre um filme nas viagens de férias ao Pará) e sem depender de apoios externos, tem-me permitido ser bastante profícuo em praticar um cinema autoral e documental na sua forma mais profunda, ao mesmo tempo em que demarco minha participação/contribuição na solidificação de uma cinematografia amazônica-paraense.”

“Sala de Cinema” é uma realização da Cinemateca Paraense que tem curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação museológica de Deyse Marinho, e apoio cultural da Associação de Críticos de Cinema do Pará e da Revista PZZ.

Serviço:

Sala de Cinema / Cinemateca Paraense

Convidado: Chico Carneiro

Quando: 23 de junho, terça-feira, às 19h.

Onde: Trav. Frutuoso Guimarães, 602. Campina.

Informações: 91 983823559 (Ramiro Quaresma)

Lançamento do Filme e Livro “Por Terra, Céu e Mar: Histórias e Memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia”

Capa_Terra_Ceu_Mar (1)-500x500Pouco tem sido documentado sobre a história dos ex-combatentes brasileiros e menos ainda sobre a atuação dos “pracinhas” amazônidas na II Guerra Mundial. Entre 2010 e 2012 os pesquisadores e alunos do Laboratório de Estudos Bioantropologicos em Saúde e Meio Ambiente (LEBIOS) da UFPA realizaram um intenso trabalho de busca e entrevistas com os últimos remanescentes dos pracinhas paraenses – eles somam apenas cerca de duas dezenas atualmente, com média de idade de 90 anos – e outras pessoas que tiveram participação ativa na Guerra, para traçar um perfil da realidade vivida na região entre 1939 e 1945. O resultado é um rico mosaico de experiências inéditas, que deu origem ao livro e ao vídeo documentário Por Terra, Céu e Mar: História e Memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia. As publicações trazem também dezenas de fotografias inéditas cedidas pelos entrevistados, além de imagens históricas de arquivos públicos e privados.

Através de uma abordagem antropológica e histórica o livro e o vídeo relatam as experiências de vida dos amazônidas, muitos dos quais sequer tinham saído do seu município antes e, de repente, se vêm no Velho Continente, no meio de milhares de outros jovens, de todo o Brasil e de dezenas de nacionalidades, e precisam mostrar que um brasileiro não foge a luta. Os autores apresentam o quase esquecido Contingente da Amazônia, que embarcou para a Itália com o 5º Escalão da FEB, e também as aventuras e desventuras de outros soldados e oficiais da Marinha de Guerra, Mercante e da então nascente Aeronáutica, que participaram de diversas frentes e nos escalões anteriores, muitos indo para o combate em Monte Castelo, Montese e outras importantes batalhas no front dos Apeninos.

O livro e o vídeo prestam uma justa homenagem aos últimos ex-combatentes, e apresentam o Contingente da Amazônia e os diversos aspectos da Guerra na região norte à partir do olhar daqueles diretamente envolvidos no conflito.

Por Terra, Céu e Mar: Histórias e Memórias da Segunda Guerra Mundial na Amazônia

Autores: Hilton P. Silva, Elton V. O. Sousa, Murilo R. Teixeira, Samuel R. Mendonça
Lançamento: Quarta-feira, dia 29/01/2014, às 18h.

Local: na livraria da Fox (Tv. Dr. Moraes, 584).

Fonte: Facebook

Documentário “ÓPERA CABOCLA” de Adriano Barroso

“Ópera Cabocla” retrata a história e o cotidiano da tradição dos pássaros juninos em Belém.

Projeto contemplado no edital do programa Etnodoc do MINC e apoio do Instituto de Artes do Pará.

Documentário, 26 minutosSinopse:Durante a quadra junina, na Cidade de Belém do Pará, os Pássaros Juninos interpretam as óperas populares, ou operetas. O documentário Ópera Cabocla registra essa manifestação feita por pessoas simples, carismáticas, com o desejo de se expressarem através do teatro e que fazem das apresentações um dos momentos mais intensos de suas vidas.

Roteiro e Direção – Adriano Barroso Diretor de Fotografia: Filipe Parolin Som Direto e Trilha Original: Leo Chermont Editor e Câmera: Lucas Escócio Produção Executiva: Jorane Castro Direção de Produção e Assistente de Direção: Suanny Lopes Assistente de Produção: Fabrício Pinheiro Assistente de Fotografia e Camera: Marcelo Rodrigues Eletricista: Marcus Leal e Aldo Lima Transporte – Paulo Santana (Paulão) Still: Chico Atanásio (Studio Lumiar) Apoio: Grupo Junino Pássaro Tem Tem do Guamá IAP – Instituto de Artes do Pará Premiado pelo Programa Etnodoc (http://www.etnodoc.org.br)

Expedição Cinematográfica “Geografias Imaginárias”

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Uma expedição cinematográfica em busca de várias respostas para uma única pergunta: é Pará isso?!

Teaser da Expedição #1

Teasers da Expedição #3

Descrição
É Pará isso?

No começo era o verbo, depois a geografia, depois um estado, depois o mundo. Um mundo no território. Uma geografia para além de um território. Um rio: muitas pontes. Uma estrada: muitos caminhos. Um lugar. Um, sem fim. Um, sem norte. Um, sem terra. Um, sem caminho. Outro, sem lugar. Um céu? Uma paisagem? Um horizonte? Quantas geografias? Uma grafia: Pará. O horizonte começa ali! Masacaba acolá! Sem norte: somos do Norte em múltiplas grafias. Uma Geografia? Pará? Não dá! Prá cá chove. Prá lá, faz calor! Ali, tem rio! Por lá? Dá no mar. Tem caminhos: mas descaminha. Tem índio, mas blues. Tem sol, tem céu, tem mar. Pará, múltiplas geografias em diversas linguagens. Milhares de tons. Centenas de quilômetros. Mundo de amplidão. Amplificado, é parazão. Diminuindo, parazinho. Para as bandas do sul é ferro, é gusa, é sem terra, é sem norte. Para as bandas do oeste: é várzea, é rio, é floresta, é tapajós, é soja, é dor, é alegria, é mais do mais, e muito do incomum: é Pará, isso? Prás bandas do norte é antigo, é português, é ibérico, é luso, é difuso, é torto, amontoado; é cheio de gente. Prás bandas do leste: é fronteira com tudo que é gente. É Maranhão, é Piaui, é Goiás; é um deus nos acuda. É Pará, isso? Sei não. Sei sim. Sei lá. Somos múltiplos, diversos. Somos os tais daquela geografia. Aquela que nos chama de norte, de fim de mundo, de parada obrigatória, de metrópole, de diversidade: somos pura amplidão. É Pará isso!

por Marise Morbach, doutora em Ciência Politica pelo IUPERJ

Um projeto patrocinado pela Vivo, através do programa Vivo arte.mov.
Apoio Institucional Lei Semear – Fundação Tancredo Neves – Governo do Estado do Pará.

Realização Barba Cabelo & Bigode Produções Culturais e Malab Produções

Fonte do texto e imagens: Geografias Imaginárias

“ÓPERA: O BONZÃO BONITÃO” de Victor de La Rocque

203526_152463304906257_35539351_nDocumentário sobre um cinema e sua história de obstinação, numa resistência que busca no sexo a sua sobrevivência e permanência no centro da cidade de Belém. Exibindo um cinema que transborda a ficção explícita de seus filmes para a realidade da sala de projeção, onde as pessoas que ali frequentam, ao colocarem seus pés de maneira rápida e furtiva no interior do cinema, compartilham de um estado de anonimato quase que total, pelo escuro da sala, pela possibilidade da liberdade de seu sexo, onde este sexo não o define como identidade, mas extrapola desejos até então reprimidos pela a vida que segue fora daquele ambiente. Ao adentrarmos no Ópera, deixamos de ser nomes próprios, para nos tornarmos apenas em espectadores quaisquer, atuando num filme como coadjuvante de um coro regido pelo amor e a promiscuidade, num gozo que chega no limite da perversidade, da “putaria suja”.

Uma produção TORÓ, FAZEMOS DE TUDO.

colonia-ferias-2013FICHA TÉCNICA
Direção: Victor de La Rocque
Direção de fotografia e câmera: Luciana Magno
Consultoria: Oriana Bitar
Roteiro: Oriana Bitar, Luciana Magno e Victor de La Rocque
Desenho de Luz: Patricia Gondim
Som: Jack Nilson
Maquinista, técnico de luz e som: Miguel Conte
Edição: Luciana Magno
Montagem: Diego Cordero, Luciana Magno e Victor de La Rocque

Patrocínio: Governo do Estado do Pará através da bolsa de experimentação artística do Instituto de Artes do Pará

Apoio: Maralux, Eti Mariqueti, Bar Meu Garoto

Fonte: Victor de La Roque

Música & Imagem: Documenta – Documentários sobre a história da música paraense

vlcsnap-2013-01-09-14h17m25s42Acredito que o grande destaque que o blog Cinemateca Paraense identificou na cena cinematográfica paraense em 2012 foi esta série de documentários realizado pela produtora Greenvision. O projeto Música & Imagem: Documenta é uma grata surpresa e acredito que sem grande alarde fez um trabalho de preservação da história da música paraense nunca antes realizado. O corte seco e bruto aliado a qualidade de captação de imagem e som tornam essa série de documentários um material fabuloso de pesquisa que precisa ser divulgado. Destacamos entre eles o documentário sobre a música transmórfica de Albery Albuquerque, o excelente panorama sobre a Casa do Gilson e a descoberta sobre o paradeiro do hitmaker do brega Juca Medalha. Os vídeos são longos para o padrão comum da internet,com cerca de 10 minutos em média, mas são evidentemente fruto de um trabalho paciente de registro da memória oral desses artistas, sem pressa, como um bom bate-papo cheio de histórias bacanas. Os documentários em questão fazem parte de um projeto maior do Conexão Música e Imagem, patrocinado pelo Conexão Vivo, via Lei de Incentivo SEMEAR com apoio institucional da Fundação Tancredo Neves. Segundo a descrição no canal do YouTube “o projeto tem como objetivo gerar visibilidade da cena artística e musical do paraense através da produção de videoclipes e registro documental de artistas e bandas locais”. Segue abaixo os documentários em questão pra vocês conhecerem as histórias e estórias da música feita no Pará.