FILME DO MÊS // ABR.2017 – “ENQUANTO CHOVE” DE ALBERTO BITAR E PAULO ALMEIDA

ENQUANTO CHOVE 2003, Belém, PA

Direção, Roteiro, Edição e Montagem: Alberto Bitar e Paulo Almeida
Produção: Maria Christina e Pékora Cereja
Designer de Som: Leo Bitar

Cor: Colorido, Formato: DV, Duração: 18min.

Elenco: Bob Menezes, Pékora Cereja, Adriano Barroso, Ailson Braga, Flavya Mutran, Silvana Saldanha, Jeferson Cecim, Abdias Pinheiro.

Enquanto Chove

Sinopse: 12 histórias que focalizam o cotidiano, que se interligam pela chuva e por acontecimentos fortuitos. Inspirado em livro homonimo, as histórias são marcadas pela sensualidade, pela a solidão e pela busca do amor. Música e imagens se fundem para criar uma atmosfera de caos e poesia.

Comentários: Inspirado no livro de contos «Enquanto chove» de Ailson Braga. Melhor Vídeo no 2o Festival de Belém do Cinema Brasileiro. Resultada da bolsa de criação artística do Instituto de Artes do Pará.

LANÇAMENTO DO DOC “PARADOXOS, PAIXOES E TERRAFIRME” de Adriano Barroso

LANÇAMENTO DO DOC PARADOXOS PAIXOES E TERRAFIRME – MACIEIRA FILMES.
DIA 26 DE OUTUBRO, NO CORAÇÃO DA T.F. (BREVE MAIS INFORMAÇÕES)

Roteiro e direção: Adriano barroso
Fotografia e montagem: Mario Costa.
Câmeras: Well Maciel, Marcelo Lelis, Marcelo souza.
Finalização de som: Leo Chermont.
Produção: Lidiane Martins, Betania Souza e Monalisa Paz.

Na celebração da semana santa, um grupo de artistas envolve a comunidade da Terra Firme para a apresentação de uma peça baseada no drama da paixão de cristo, pelas ruas da Terra Firme. O espetáculo faz parte das inúmeras ações do projeto do grupo Ribalta que ha 40 anos trabalha com teatro reunindo jovens em situação de risco, tirando-o das ruas, como um ato de cidadania.

FILME DO MÊS // OUT.2016 – CÍRIO, HISTÓRIAS DE FÉ


vlcsnap-2015-02-07-22h07m33s236vlcsnap-2015-02-07-22h07m58s2CÍRIO. Histórias de fé. Direção: Flávia Morete, Gustavo Godinho e Vlad Cunha. Produtora: Imageria Filmes. Produção executiva: Camila Kzan, Thais Vieira. Montagem: Marcos Kubota, Gustavo Godinho. Coordenação de produção: Theo Mesquita. Produção: Vanja Fonseca. Câmeras: Renato Chalú, Atini Pinheiro, Célio da Costa. Juracy Rabelo. Belém. 2007. 21 min.

Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense

Nos últimos 60 anos, o cinema paraense realizou uma significativa produção audiovisual. Grande parte deste acervo, realizado de forma independente, superou adversidades para inserir imagens e sons na linha do tempo do cinema paraense. Com o objetivo de evidenciar essa produção, o professor e mestre em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ramiro Quaresma, idealizou a exposição Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense. O evento inicia-se no domingo, 12 de junho de 2016, na Galeria Elétrica, localizada na Rua Frutuoso Guimarães, bairro Campina.

Entre os artistas presentes neste grande recorte histórico, estão cineastas como Renato Tapajós, Vicente Cecim, Flávia Alfinito, Priscilla Brasil e Mateus Moura. Um dos objetivos da exposição é divulgar suas obras para que elas alcancem um público cada vez maior.

Duração – O evento é aberto ao público e, para participar, não é necessário realizar inscrições. Após o evento de domingo, a exposição ficará disponível até agosto. Para agendar visitação à exposição nos próximos meses, basta enviar um e-mail para cinematecaparaense@gmail.com.

Origem – A exposição Linha do tempo: 60 anos de cinema paraense tem como referência a pesquisa para a dissertação de Mestrado em Artes do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes) da UFPA, do professor e curador Ramiro Quaresma.

Seu trabalho foi desenvolvido com base em uma cartografia do cinema paraense e propõe uma possibilidade de preservação digital do patrimônio audiovisual, utilizando como plataforma o site-blog Cinemateca Paraense, criado há mais de sete anos.

 

Acervo – A curadoria e expografia da exibição foram realizadas por Ramiro Quaresma e pela museóloga e também idealizadora da exposição, Deyse Marinho. Entre mais de 300 filmes pesquisados e 25 realizadores entrevistados, a curadoria selecionou cerca de 60 filmes a serem exibidos para a compreensão da trajetória da produção cinematográfica paraense.

Cinemateca Paraense – Uma cinemateca é uma instituição que tem como objetivo preservar acervos audiovisuais, pesquisar a história do cinema do qual é guardião e difundir essas obras cinematográficas para que permaneçam vivas para as futuras gerações.

O site, criado em 2008, é um espaço democrático e colaborativo, sem qualquer fim lucrativo. Nele estão obras dos mais variados artistas paraenses, uma busca de um pequeno grupo de obstinados em pesquisar, catalogar e difundir os filmes que trazem em suas imagens e sons as memórias do Pará, preservando, assim, a história dos paraenses.

Serviço:
Exposição Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense
Data: 12 de junho de 2016
Local: Galeria Elétrica, localizada na Rua Frutuoso Guimarães, 602 – Campina.
Horário: 10h às 20h
Mais informações:  Site Cinemateca Paraense, Evento no Facebook.
E-mail para agendar visitações: cinematecaparaense@gmail.com

 

Filme do mês // Dez.2015 – “Outubro.Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro

12291063_1273687232658287_7399152472181591060_oCompartilhar vídeos é um gesto de afeto e uma intuitiva ação de preservação da memória. Tive a prova dessa constatação no no dia 09 de Dezembro quando assisti no Cinema Olympia, que dispensa argumentos de sua importância histórica e cultural em Belém, a primeira exibição pública do documentário colaborativo “Outubro. Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro com produção da Rede Cultura de Comunicação. Foi uma sessão emocionante pra mim e não apenas por conta do apelo do Círio de Nazaré, tema que nunca se esgota tamanha a complexidade da manifestação, mas por ver na grande tela do cinema um sucessão de vídeos em sua maioria gravados por dispositivos móveis. Carregam em sua poética uma subjetividade e uma naturalidade que uma equipe de cinema dificilmente consegue apesar de muitas vezes ter uma imagem tremida e um som ruim, gerando a dúvida entre a exclusão e o compartilhamento da nossa memória.  Nesse sentido escolher compartilhar é escolher guardar.

Nunca se fez tanto vídeo e nunca os processos de realização e distribuição audiovisual foram tão democráticos. São milhões por dia subindo para a nuvem e para as redes sociais, muita tosqueira claro, mas também culinária, games, ativismos, festa de aparelhagem, denúncias, gatinhos fofos e bebês comendo papinha. Pra que tanto vídeo meu Deus?! Para que nos (re)conheçamos enquanto gente, que vive em um mundo sem luz direcionada e rebatida, sem microfone de lapela, sem decoração de set, maquiagem ou figurinista. Esses vídeos reunidos no filme de pouco mais de 25 minutos de Larissa Ribeiro contam a história da nossa época e cada um deles encadeado nesta narrativa diz muito sobre nós enquanto gente. A provocação do filme era compartilhar vídeos com a hashtag #meucirioeassim ou enviar na plataforma do projeto http://ciriodoc.com.br/. Essa dinâmica proposta podia funcionar, ou não. E funcionou.

O filme feito a partir do projeto se destaca tanto pelo ineditismo da proposta quanto pela desmitificação do documentário audiovisual formal, coisa que Eduardo Coutinho fez de forma contundente ao revelar o bastidor da própria produção, e pela ousadia de romper, ou pelo menos não ter medo de tentar, com um padrão estabelecido pela ficionalização do documentário. Outro grande mérito do filme é ser um dos poucos exemplos de cinema de arquivo em nossa filmografia, que encara o todo o espectro da produção audiovisual como matéria prima de sua realização, uma opção narrativa que diz muito sobre a capacidade do realizador como pesquisador, se desprendendo de uma estética, uma gramatica própria, pra desvendar os subterrâneos das imagens.

Pedi pra Larissa responder duas perguntas sobre esse processo.

Como surgiu ideia, o desafio de propor um filme sem câmera, de arquivo, contando com as imagens de colaboradores?

O projeto está baseado no “Life in a Day”, doc sobre um dia na vida do planeta terra, feito com material de pessoas do mundo todo, produzido pelo Ridley Scott. Mas esse é um produto de muitos. É que quando a tecnologia vira hábito a gente acaba acostumando a não pensar sobre ela, porque é cotidiana pra gente. É aquele velho exemplo da criança que tenta manusear a revista como se fosse uma tela touch. A tecnologia é uma forma, que se molda ao uso que fazemos dela. Acredito profundamente nas experiências. Criar é sobre experiências. A sua e a do outro e como elas podem conversar entre si. Elevamos isso a uma grande potência quando apertamos em compartilhar. É o que tento buscar nos meus projetos. É o que busco aprender. Contar dessas novas formas é um caminho sem volta e é incrível percorrê-lo. E foi muito especial que a iniciativa de concretizar um projeto dessa tipo tenha vindo de uma emissora pública, a TV Cultura. As experimentações devem nascer nesses espaços. Então a pergunta com esse projeto foi : o que pode sair da experiência de cada um? Não tinha a menor ideia. Se seria um curta, um longa, um videoclipe. A linguagem é líquida. O bom então foi poder provar. Óbvio que quando você constrói esses projetos, especialmente pelo tempo curto de pós produção que já sabia que teria, é tentar acertar no modo como você pede. Ter uma linha básica. A nossa foi uma muito simples: a cronologia. Meia noite a meia noite. O mais bacana foi conversar com as pessoas e ver o nível de identificação delas. Muitas falaram isso. Porque um pouco cada um sentia um pedaço do seu próprio Círio nas histórias que estavam ali.

Como foi o processo de curadoria e edição desse volume de imagens brutas?

Foi assistir muita e muitas vezes o material bruto. Levantar e fazer outra coisa, para poder pensar melhor. Retomar o trabalho e pouco a pouco ir encaixando as peças. Aqui a cronologia foi importante porque ajudou muito a dar a base. Muito importante também mostrar, outros olhares que te ajudam a ver o que não vês mais. Escutar a opinião do outro e seguir. Depois aquela velha pena de deixar uma imagem boa de fora, mas saber que talvez ela não contaria o que precisas em determinado momento. Mas está ai. Depois fiquei pensando que uma experiência bacana seria disponibilizar o material bruto e ver que cortes as pessoas fariam do filme. O mundo é mash up, não? A edição que cada um pode dar. Mas isso já é outro projeto (risos). Acredito que fica é o motor da experiência. Saber que podemos provar esse método com muitos outros assuntos e sobretudo seguir experimentando.

Sobre a realizadora:

Larissa Ribeiro é Transmedia Storyteller e Produtora Audiovisual. Integrante da primeira geração do Curso de Televisão e Novos Meios, da prestigiosa Escola Internacional de Cine e TV de San Antonio de los Baños, Cuba (EICTV). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará, região amazônica do Brasil, aonde foi produtora, roteirista e diretora na TV Cultura do Pará. Trabalha com desenvolvimento de projetos para Cinema, Televisão, Internet, além de produtos híbridos e multiplataforma.