FILME DO MÊS// JAN – 2020 “SHALA” de João Inácio

Entrevistamos o diretor João Inácio para saber sobre a bonita trajetória de seu curta-metragem “Shala” (2016), nosso Filme do Mês.
Como e quando surgiu a ideia original para o Shala?
Minha mãe trabalhou na antiga Fbesp e sempre trazia para casa muitas histórias. Uma delas foi de um garoto que não conseguia ser adotado, ele passou por varias processos de adoção e sempre era devolvido. Isso me tocou muito e decidi escrever um roteiro. 
Eu me indignava em saber que essa era uma historia não contada e que era comum nos abrigos.
Na história não havia a materialização do preconceito representada pela boneca, isso foi criado para compor melhor o drama.
Eu nunca tive contato com o personagem da vida real e procurei me manter distante para preserva-lo.
Da escrita do roteiro ao financiamento, como foi o processo?
Árduo e nada romântico. Na época do filme era muito difícil ter credibilidade para conseguir patrocínio sem um grande Edital de Cinema. Então eu procurei me adequar as exigências do maior edital federal de curta do ministério da cultura. Sua aprovação foi fundamental para o projeto ganhar reconhecimento, inclusive nacional. 
O projeto não era barato, filmamos em 35mm e em uma parte do país que não tem equipamento para esse tipo de produção. Todo o equipamento veio do sudeste e centro oeste, essa logística foi um compromisso assumido por mim, para que profissionais locais tivessem acesso a esse tipo de produção muito sazonal em Belém. Mas o mais caro foi toda a estrutura de produção, com quase 100 pessoas trabalhando direta e indiretamente,  onde precisamos transportar, alimentar, vestir e todos os demais necessário para a realização das filmagens.
Então foi necessário diversos apoios e conseguimos o patrocínio da Yamada e do Banco da Amazônia. Sem eles o filme não teria sido filmado. 
Da filmagem até o lançamento o tempo foi bem longo, o que aconteceu?
Sim, o filme estourou todos os orçamentos, tivemos trocas de fornecedores, trocas de hotéis, problemas com fornecimento de energia elétrica. O orçamento foi pro espaço. Um dia após as filmagens eu tive que fazer um grande empréstimo no banco para cobrir parte das dividas, foram 4 anos pagando. Ainda assim não havia mais recursos para finalizar, todas as fontes de financiamentos estavam esgotadas eu estava em depressão. Então eu engavetei o projeto e fui passar um tempo nos EUA. Lá, apresentei o filme para algumas pessoas. O filme não tinha legenda, mas fui muito bem recebido. A história se contava por sí só e eu fiquei muito animado, era um sopro de esperança e alívio por o filme cumprir sua função enquanto linguagem cinematográfica. Então eu consegui recursos para finaliza-lo.
Voltei para o Brasil, negociei com o Ministério da Cultura para entrega-lo em formato digital. Adequei o filme em todas as novas exigências do MinC e fechei parceria com a DOT e terminamos o filme. 
Você pode fazer um resumo da incrível trajetória do curta em festivais.
Um filme novo de um diretor desconhecido do cenário nacional e sem recursos, torna seu trabalho de fazer seu filme conhecido uma árdua e persistente jornada. Os 5 primeiros meses foram só escrevendo o filme em festivais e recebendo repostas negativas.
Mas o Mix Brasil e seus Labs foram fundamentais para eu repensar a divulgação e distribuição do filme. Abandonei os grandes festivais e foquei em tornar meus filme conhecido. Novos recursos dos EUA vieram para a inscrição do filme em festivais internacionais e deslocamento de cópias. Hoje há muitos festivais e muitas coisas ruins e picaretas, então era uma loucura, eu tinha que ler muito sobre cada festival que eu pretendia realizava uma inscrição. 
Então vieram os resultados. Turquia, Polônia, Russia, Coreia do Sul, Espanha, México, Lituânia, Itália, Japão, Africa do Sul, Equador, Colombia, Romênia, Panamá, Holanda, Bangladesh, Áustria, Austrália, Chile, Portugal, Canadá, França, Inglaterra e claro muitos estados dos Estados Unidos, concentrando a maior parte das exibições do filme, percorremos festivais de costa a costa. O filme entrou para o acervo de preservação de filme da Universidade da Califórnia. Esteve em espaços incríveis  em Nova Yorque. Foi exibido como ferramenta de estudo na Universidade de Upsala na Suécia, Foi exibido em uma sessão para mais de 300 pagantes em Paris, que arrancando aplausos em três tempos do filme. Foi visto por mais de 1350 crianças na Turquia. Foi eleito o melhor filme por crianças na Itália. Concorreu a uma pré-indicação ao Oscar na Espanha, e encerrou sua carreira no festival de cinema mais importante de Boston, exatamente onde o filme saiu da gaveta e voltou a respirar.
Muitos festivais que recusaram o filme passaram convida-lo, era um filme que estava em muitos catálogos, mas muitos festivais seguem regras rigorosas para a seleção, como exclusividade e apenas uma inscrição. Muitos nem assistiram o filme e recusaram. De qualquer forma isso não diminuiu o filme. Foram mais de 10 prêmios e mais 70 festivais ao redor no mundo. E hoje eu posso dizer que Shala já foi exibido em sessões públicas em todos os continentes do planeta.

 

FICHA TÉCNICA

Direção, Roteiro e Produção: João Inácio, Fotografia: Kátia Coelho, Direção de Arte: Aldo Paes, Edição de som: Renan Vasconcelos, Câmera: Naji Sidki, Figurino: Marbo Mendonça, Maquiagem: Sonia Penna, Direção de produção: Luciana Martins, Assistente de Produção: Hindra Miranda, Joanna Denholm, Thiago Freitas, Tiara Tiara Klautau, Fotografia still: Renato Chalu, Continuidade: Indaiá Freire, Montagem: Allan Ribeiro, João Inácio, Editor: Bruno Assis, 1º Assistente de Câmera: Emerson Maia, 2º Assistente de Câmera: Laércio Esteves, Trilha Sonora: Paulo José Campos de Melo, Assistente de Arte: Patricia Rodrigues, Viviane Rodrigues, Produtor Associado: Maryson Sousa, Matthew Berge, Motorista: Rafaela Fontoura, Direção de elenco: Cláudio Barros, Arte: Camila Leal, Francisco Leão, 1º Assistente de Direção: Afonso Galindo, Design de Som: Renan Vasconcelos, Captação de Som: Aloysio Compasso. Elenco: Tiago Assis, Lizabeli Vilhena, Juliana Sinimbu, Bruno Carreira. Filmado em 35mm. Belém, 2016.

LINHA DO TEMPO DO CINEMA PARAENSE 1970/1980

Chegam ao mercado as câmeras na bitola 8 mm, indicadas para uso doméstico e amador. Uma dessas câmeras chega às mãos do redator publicitário e cinéfilo Vicente Cecim que, de 1975 a 1979, realiza o «Kinemandara», um ciclo poético-cinematográfico, um universo nublado e intimista deste cineasta de uma Belém onírica e irreal.

A série é composta por cinco filmes: «Matadouro» (1975), «Permanência» (1976), Sombras (1977), «Malditos Mendigos» (1978) e «Rumores» (1979).  Os filmes em super-8mm, sem áudio, eram exibidos em sessões cineclubistas acompanhadas de músicas em toca-discos. Nos anos 2000 quando foram digitalizados Cecim incluiu as trilhas sonoras.

Ainda nos anos 1970 em Belém Ronaldo Moraes Rêgo (A Perseguição) e Paes Loureiro (Elegia para uma cidade) realizam experimentações cinematográficas em super-8mm, existem ainda produções do período não catalogadas.

Atravessando a Baía do Guajará, na Ilha do Marajó, o padre italiano Giovanni Gallo, apontava a lente da sua super-8 para os habitantes e as paisagens do lugar, realizando obras de caráter etnográfico como «O jacaré já era», de meados dos anos 1970, onde acompanha uma caçada ao animal.

A Casa de Estudos Germânicos da UFPA em parceria com a Embrafilme realiza dois ciclos de oficinas em práticas cinematográficas nos anos 1980 de onde, entre outros, são realizados os curtas-metragens «Ver-O-Peso» (1984) e «Marias da Castanha» (1987) de Edna Castro e Simone Raskin.

Com o surgimento do vídeo novas possibilidades se incorporam ao fazer cinematográfico, uma dessas experiências poéticas é o vídeo arte «Cenesthesia» (1988), de Toni Soares, Dênio Maués e Jorane Castro, filmado em Super-VHS.

DESTAQUES DO AUDIOVISUAL PARAENSE EM 2019

Nossa equipe escolheu os destaques do universo audiovisual de nossa terra. Confira nossas escolhas.

AMAZÔNIA DOC 5

Depois de sete anos da última edição, em 2012, o festival idealizado e produzido por Zienhe Castro voltou em 2019 para sua quita edição, retomando seu lugar como o principal festival de cinema no Pará.

A BESTA POP

O longa-metragem de 2018 realizado por alunos do curso de Cinema e Audiovisual da UFPA mostrou sua força criativa em festivais pelo Brasil, como a Mostra Sesc de Cinema e o Maranhão na Tela onde foi premiado.

REFLEXO DO LAGO

Primeiro longa-metragem do cineasta Fernando Segtowick, produzido e finalizado em 2019, o documentário acompanha a vida da comunidade as margens do lago da usina de Tucuruí. Já vimos o documentário e o resultado é belo e contundente.

MESTRE CUPIJÓ E SEU RITMO

O estado do Pará é reconhecido mundialmente por sua cultura, porém raramente registra e homenageia seus mestres da cultura popular. O documentário de Jorane Castro faz jus à história desse mestre e tira da invisibilidade sua obra musical.

 

SAMMLIZ – LEVIATÃ LUX

O mais recente videoclipe de Sammliz é uma obra cheia de poética e cores com a marca da diretora Adriana Oliveira. É a obra audiovisual de uma beleza estonteante, kitsch, pop e contemporânea.

AMAZÔNIA OCUPADA

O ambicioso projeto documental de Priscilla Brasil teve seu primeiro episódio lançado, “Jari”.  A diretora afirma ser o primeiro de uma série sobre a ocupação do espaço amazônico brasileiro. Ganhou o prêmio do público no Amazônia Doc 5.

CENTRO DE ESTUDOS CINEMATOGRÁFICOS

Conduzido por Marco Antônio Moreira o CEC vem regularmente trazendo a tona a obra de realizadores e pensadores do cinema, de ontem e hoje, para exibir e debater cinema.  Um projeto profundo, democrático e gratuito que merece mais atenção do público.

A SÉRIE AMAZÔNIA OCULTA

A série de ficção, escrita e dirigida por Roger Elarrat, foi produzida em 2019 e é um projeto monumental para nossos padrões, em numero de atores, cenas e horas gravadas. O diretor compartilhou o processo nas redes sociais gerando uma grande expectativa sobre o projeto.

TRANSAMAZÔNIA

Projeto idealizado por Debora McDowell e Bea Morbach foi comtemplado pelo edital Rumos Itaú Cultural. O documentário sobre a vida de travestis na Transamazônica ganhou prêmio de direção do Festival Mix Brasil e deve fazer grande carreira em festivais em 2020.

 

#amazonia #cinema #movies #amazon #cinema brasileiro #belem #para #cinemateca

LINHA DO TEMPO DO CINEMA PARAENSE // ANOS 1960

 

Líbero Luxardo já havia realizado três longas-metragem no estado do Mato Grosso,  «Alma do Brasil» (1932), «Caçando Feras» (1936) e «Aruanã (1938), quando chegou ao Pará nos anos 1940 para tentar se estabelecer como realizador nas terras amazônicas. Foi «cinegrafista-oficial» de Magalhães Barata, realizando para o interventor do estado uma série de cine-jornais antes de reiniciar em Belém sua carreira cinematográfica em ficção.

Em 1965 lança seu primeiro longa-metragem paraense, «Um dia qualquer», que foi sucedido por «Marajó: barreira do mar» em 1966, «Um diamante e cinco balas» de 1968, e seu último filme e o primeiro em cores «Brutos inocentes» de 1973.

Líbero foi o responsável pela entrada de Milton Mendonça no ramo cinematográfico com a produção de cinejornais, como «Belém do Pará» de 1966 feito para o aniversário de 350 anos de Belém. Os cinejornais da Juçara Filmes de Milton Mendonça são o principal documento audiovisual sobre política, sociedade e cultura dos anos 1960 em Belém.

Renato Tapajós, um jovem cineasta vindo de Santarém, realiza em 1964 o documentário em curta-metragem «Vila da Barca», finalizado em São Paulo por grandes nomes do cinema brasileiro, como Maurice Capovilla e João Batista de Andrade. O filme foi proibido no Brasil pela ditadura mas teve muito boa recepção na Europa, recebendo importantes prêmios. Durante os anos 1960 o crítico e cineclubista Pedro Veriano reúne a família e amigos na produção de filmes caseiros, desta produção temos o “neorealista” «Brinquedo Perdido» com data de produção de 1962, que consideramos um dos marcos de surgimento do cinema paraense.

 

FILMOGRAFIA – LÍBERO LUXARDO

Líbero Luxardo (1908/ Sorocaba – SP – 1980/ Belém-PA) realizou entre 1932 e 1973 sete filmes longa-metragem, três no Ciclo Mato-grossense, Alma do Brasil (1932), Caçando feras (1936) e Aruanã (1938), e quatro no estado do Pará, em seu Ciclo Amazônico, Um Dia Qualquer… (1965), Marajó – Barreira do Mar (1966), Um Diamante e Cinco Balas (1968) e Brutos Inocentes (1973). Líbero Luxardo foi o pioneiro na realização de longas-metragens no Pará. Realizou, entre as décadas de 1950 e 1970, dezenas de documentários jornalísticos (cine-jornais) e quatro longas-metragens, sendo até os dias de hoje os únicos filmes de longa duração realizados no Pará neste período. Esta filmografia realizada no Pará hoje faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som do Pará, sendo nosso mais importante patrimônio fílmico.

Assista aqui os filmes de Líbero Luxardo.

“Caçando Feras” (1936) e “Um Diamante e Cinco Balas” (1968) estão perdidos.

AMAZÔNIA OCULTA

O que sabemos até agora sobre a série ficcional de Roger Elarrat, realizada em 2019 em Belém, retiramos do Facebook do realizador. Sobre a pré-produção Roger diz:

Essa é uma série que é produzida e será filmada no Pará. Eu cheguei a perguntar por atores que moram fora daqui mas que estarão aqui em julho para serem também considerados no casting. Não temos previsão orçamentária de passagem, hospedagem, etc para elenco de fora. Da mesma forma, queremos priorizar elenco amazônico que tem poucas oportunidades no meio, além das feições, o sotaque etc. Alguns atores que não são paraenses mas que moram aqui também têm participado de testes, mas são pouquíssimos, e os consideramos como elenco local pela logística, avaliamos a possibilidade de alcançarem o sotaque, e se parecem com os atores daqui.

Da esq. para dir: Roger Elarrat, direitor e roteirista, Lucas Escócio, Fotografia, e Felipe Braun, Produção.

Com roteiro do próprio Roger a série terá 5 episódios com três estórias em cada.

Os títulos dos 15 contos da série Amazônia Oculta, de acordo com o realizador são:

– O Escafandro e a Cabana
– O Duplo
– Cyber Kayapó
– A Entidade
– Eco
– O Filtro dos Sonhos
– O Símbolo Amarelo
– Abissal
– O Espelho
– A Estrela
– Eterno Retorno
– O véu
– Buraco Negro
– A Máscara
– Ilusão

Frames da série compartilhados dão uma ideia sobre o visual da série.

Roger também compartilhou uma série de curiosidades sobre a produção de Amazônia Oculta:

Algumas curiosidades da série:

– filmando em 3 semanas, as 15 histórias precisaram de um planejamento muito preciso porque praticamente todo dia era uma locação nova e não podia cair cena pro dia seguinte.
– acho que foi o projeto que fiz com o maior número de atores envolvidos.
– teve profissional que tava trabalhando ao meu lado pela quarta vez. Vários outros era terceira vez!
– terror, suspense… mas nada de Matinta, Boto ou Iara.
– tivemos uma equipe de efeitos práticos só de profissionais locais: fumaça, língua de monstro, sangue, tripas, gangrena, ácido, fogo, corpo mumificado e muito mais foi feito por eles. Um sonho né?
– fotografia ficou impressionante, mesmo com recursos simples e até “oldschool” às vezes.
– Rodamos em 4K
– tem tanto histórias de mata, de rio, quanto histórias da Amazônia Urbana.
– tivemos alguns nus tanto femininos quanto masculinos.
– alguns contos da série tiveram estilos de direção bem distintos uns dos outros: um foi só planos sequência e câmera na mão, outro só câmera parada, outro só dutch angle, outro cheio de plongé e contra-plongé e por aí vai.
– teve elenco mirim e atriz de 96 anos!
– aliás uma atriz de 14 anos foi uma das que mais surpreendeu. Vem aí mais uma descoberta nossa!
– vários elementos da minha assinatura estão presentes mais uma vez: carrinho de raspa-raspa, máscaras, duplo, cenas à luz de velas, encruzilhada, temas sombrios, café. 

Mais curiosidades da produção da série Amazônia Oculta, filmada em julho de 2019:

– Na última semana de pré-produção rolou uma dança das cadeiras no elenco. Gente caiu, gente trocou de personagem, trocou passagem de avião e gente mostrou serviço pra ficar na série. Ismara (primeira assist. de direção) tava uma general irredutível no cronograma pra tudo dar certo.

– Uma das locações só foi decidida na véspera da filmagem. Olha que normalmente é tudo fechado com semanas de antecedência para toda a papelada, logística e decisões artísticas poderem ser encaminhadas a tempo. Não sei que mágica a Luana com a produção e a direção de arte fizeram, mas deu tudo certo nesse dia. Inclusive, segundo Maurício (o continuísta), rodamos mais de 40 planos, informação que tentaram me esconder para não dar muita confiança.

– Sempre imaginei que filmar com bicho seria muito sofrido, mas tivemos um cachorro ator que era um lorde inglês, além de muito fotogênico.

– Em um dos dias da ilha do combu a mágica do cinema aconteceu: o gerador quase cai do barco e acabou que não pudemos usar 80% do equipamento de luz planejado. Resultado: uma grande improvisação do Lucas (fotógrafo). Tive que entrar no clima e improvisar também com elenco e planificação de cenas. Joguei meu tablet com diagraminhas de lado e fui no embalo. Jazz.

– Um dos dias teve filmagens em um porão cheio de morcegos. Feri minha cabeça, um dos atores feriu a cabeça e a atriz principal cortou a mão (em cena!) e ainda rodou mais uns 3 planos com a mão sangrando.

– Quando chegamos ao Bosque Rodrigues Alves era dia de eclipse + lua cheia. A cidade foi tomada por uma tempestade e o bosque alagou, ficou um breu. Só se via os raios no céu. Todo mundo se escondeu e o pessoal que trabalhava lá se impressionava que eu era o único andando de um lado pro outro no meio das trilhas. Diziam que era cheio de visagem por lá, mas eu só pensava nas minhas cenas que tinham caído. Até voz do além foi escutada no rádio nessa noite.

– Fiz um stand in em uma cena de figuração saindo de dentro do corpo de um homem/monstro. Era só pra mostrar como queria, mas a equipe de foto me filmou e por sorte não virei meme (ainda).

– Lucas teve cara branca no dia que filmamos em um barco, mas por sorte já estávamos nos últimos dias de filmagens.

– 14 personagens morrem ao longo da série e mais uns tantos outros morreram pouco antes das tramas começarem ou podem morrer pouco depois das histórias terminarem.

– 10 personagens tiveram caracterização que precisavam que os atores usassem algum tipo de figurino especial (roupa de monstro/ robô/ visagem, máscara etc.)

Fonte: Facebook do realizador

LEONA, A ASSASSINA VINGATIVA

leona-assassina-vingativa-oSérie de vídeos sobre Leona e suas tramas de amor e ódio com a Aleijada Hipócrita. Filmado em celular, com não-atores, em  um roteiro de novela das 8 em cenários reais na periferia de Belém. A série Leona, a assassina vingativa é o vídeo de autor paraense mais visto no Youtube, ultrapassando 3,5 milhões de views nos três episódios. Os personagens viraram ícones do universo LGBT em Belém e em 2019 foi transformado em uma peça de teatro de muito sucesso.

Projeto Rios de Terras e Águas: navegar é preciso

XUMUCUÍS

“O projeto Rios de Terras e Águas: navegar é preciso foi idealizado pelas pesquisadoras Janice Lima, Marisa Mokarzel e Simone Moura e tem como objetivo documentar e difundir a obra de seis artistas contemporâneos do Pará que se encontram interligadas por questões patrimoniais, culturais e artísticas.

O projeto foi selecionado e financiado pelo Programa Petrobrás Cultural na categoria Formação/Educação para as Artes: Materiais e Documentação. Teve como proponente a Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia – FIDESA e como parceira a Universidade da Amazônia – UNAMA.” (fonte: site do projeto)

O site do projeto é aqui: Rios de terras e águas: navegar é preciso

Esses são os vídeos, com uma das idealizadoras do projeto Mariza Mokarzel e os artistas pesquisados:

Ver o post original

A BESTA POP – Longa-metragem

A Besta Pop, 2018. Belém-PA

de Artur Tadaiesky, Fillipe Rodrigues e Rafael B Silva

 

SINOPSE

Em um futuro distópico durante o último dia que antecede o apocalipse, em meio a implementação de um governo totalitarista e a alienação social, um grupo de jovens decide burlar o toque de recolher buscando escapar do tédio de suas vidas. E tem seus destinos entrelaçados no melhor lugar para estar no fim do mundo, a festa A Besta Pop

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO: Artur Tadaiesky,  Fillipe Rodrigues, Rafael B. Silva PRODUÇÃO EXECUTIVA: João Luciano, Tamires Cecim, Jorane Castro DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Tamires Cecim, Thamires Rafael, Produtor Associado, Cesar Moraes PLATÔ: Arthur Alves João Paulo Alencar ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Lucas Brito, Laís Rupf, Beatriz de Oliveira, Diego dos Prazeres, Vinícius Braga, Juliana Silva, Suelen Nino ROTEIRO: João Luciano, Arthur Alves, Hariel Zarath, Rafael B Silva, Tamires Cecim ELENCO: Cassio Di Freitas, Eliane Flexa, Ysiadnne Ribeiro, Kazu Ishizaki, Leoci Medeiros, Gabriel Antunes, Valéria Lima, Yuri Granha, Nazaré Alcoforado, Marvin Muniz, Ricardo Tomaz, Guilherme Arias, Edu Junior, Sol de la-Rocque, Rafaella Cândido, Joyce Cursino, Marcelo Nunes, Alan Arantes, Rhero Lopes, Erika Fiore, Dayci Oliveira, Gilson Santos, Rafael Cabral 1ª ASSISTENTE DE DIREÇÃO:  Suelen Nino 2° ASSISTENTE DE DIREÇÃO:
Maurício Moraes CONTINUISTAS: Ana Julia Antunes, Caio Albuquerque DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Silas Sousa OPERADOR DE CÂMERA: Silas Sousa 1° ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: Mariana Moraes 2° ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: Antonio de Oliveira 3° ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: Anderson Vaner CHEFE DE ELÉTRICA (GAFFER): Marcê Novais ASSISTENTE DE GAFFER: Lauro Feio MAQUINISTA: Antônio de Oliveira OPERADOR DE CÂMERA / CENAS EXTRAS: Paulo Evander MAKING OFF: Tarcísio Gabriel, Gyselle Kolwalsk DIRETOR DE ARTE: João Luciano PRODUÇÃO DE ARTE: Chris Araujo ASSISTENTES DE ARTE: Hariel Zarath, Dayana Ribeiro, Aryane Gondin, Henrique Virela, Thais Belem Gama, Bolivar Reis, Liege Yamanaka MAQUIAGEM E CABELO: Carmen Elena, Lee Mendes, Alice Kazu, Isis Pinheiro ASSISTENTE DE MAQUIAGEM: Liege Yamanaka, Jenny Uchoa FIGURINO: Luisa Elis
João Luciano ASSISTENTE FIGURINO: Leticia Cordeiro, Sebastian Pettersen, Wescley Azevedo, Lee Mendes DESIGN:
Liege Yamanaka COSTUREIRA: Graça Rezende TÉCNICO DE SOM DIRETO: Michael Barra MICROFONISTA: Beá Santos OPERADOR DE BOOM: Felipe Mendonça ASSISTENTE DE SOM: Cleydson Coutinho TÉCNICO DE ADR: Michael Barra MONTAGEM: Rafael B Silva, Artur Tadaiesky CONSULTOR DE PÓS – PRODUÇÃO: Moyses Cavalcante EFEITOS ESPECIAIS: Bruno de Assis, Luca Porpino, Nicolas Dias EDIÇÃO DE SOM: Sálua Oliveira MIXAGEM DE SOM: Nicolau Domingues FINALIZAÇÃO DE COR: Pablo Nóbrega TRILHA SONORA: Adriano Muniz TRANSPORTE: Arthur Tadaiesky,
Manoel Sousa, Marcê Novaes, Silas Sousa, Thaís Gama ALIMENTAÇÃO: Elidiane, Henrique Cecim, Sônia Teles, Thayná Martins. 60 min. Digital. Cor. Brasil.

 

TAPUME – Série em 5 episódios

A proposta do projeto Tapume, série documental de cinco episódios de cinco minutos, é relacionar manifestações culturais de rua às intervenções artísticas no espaço público por meio das linguagens do graffiti e do audiovisual. Em cada episódio propomos o registro de uma festividade de rua ocorrida nas cidades de Macapá (AP), Belém (PA), Manaus (AM) e Tabatinga (AM), partindo do olhar de um/a cineasta local. As imagens de corpos e danças captadas pelo(a) cineasta servem de inspiração para um/a artista gráfico/a intervir nos muros de sua cidade por meio do graffiti. Ao longo das sequências e em off, os artistas se apresentam e refletem sobre os processos criativos relacionados às imagens dos eventos em questão. Fonte: EBC
FICHA TÉCNICA
TAPUME (Série em 5 episódios). Direção e Finalização: Brunno Régis. Roteiro: Débora McDowell, Beatriz Morbach. Pesquisa: Beatriz Morbach Produção Executiva: Débora McDowell. Direção de Fotografia: André Morbach, Brunno Régis. Direção de Fotografia: André Morbach, Brunno Régis. Trilha e Mixagem: Rafael Bordalo, GAMA. Animação: Matheus Almeida.  Realização: Muamba Estúdio. 5 min. Belém, 2017.