Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense

Nos últimos 60 anos, o cinema paraense realizou uma significativa produção audiovisual. Grande parte deste acervo, realizado de forma independente, superou adversidades para inserir imagens e sons na linha do tempo do cinema paraense. Com o objetivo de evidenciar essa produção, o professor e mestre em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ramiro Quaresma, idealizou a exposição Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense. O evento inicia-se no domingo, 12 de junho de 2016, na Galeria Elétrica, localizada na Rua Frutuoso Guimarães, bairro Campina.

Entre os artistas presentes neste grande recorte histórico, estão cineastas como Renato Tapajós, Vicente Cecim, Flávia Alfinito, Priscilla Brasil e Mateus Moura. Um dos objetivos da exposição é divulgar suas obras para que elas alcancem um público cada vez maior.

Duração – O evento é aberto ao público e, para participar, não é necessário realizar inscrições. Após o evento de domingo, a exposição ficará disponível até agosto. Para agendar visitação à exposição nos próximos meses, basta enviar um e-mail para cinematecaparaense@gmail.com.

Origem – A exposição Linha do tempo: 60 anos de cinema paraense tem como referência a pesquisa para a dissertação de Mestrado em Artes do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes) da UFPA, do professor e curador Ramiro Quaresma.

Seu trabalho foi desenvolvido com base em uma cartografia do cinema paraense e propõe uma possibilidade de preservação digital do patrimônio audiovisual, utilizando como plataforma o site-blog Cinemateca Paraense, criado há mais de sete anos.

Acervo – A curadoria e expografia da exibição foram realizadas por Ramiro Quaresma e pela museóloga e também idealizadora da exposição, Deyse Marinho. Entre mais de 300 filmes pesquisados e 25 realizadores entrevistados, a curadoria selecionou cerca de 60 filmes a serem exibidos para a compreensão da trajetória da produção cinematográfica paraense.

Cinemateca Paraense – Uma cinemateca é uma instituição que tem como objetivo preservar acervos audiovisuais, pesquisar a história do cinema do qual é guardião e difundir essas obras cinematográficas para que permaneçam vivas para as futuras gerações.

O site, criado em 2008, é um espaço democrático e colaborativo, sem qualquer fim lucrativo. Nele estão obras dos mais variados artistas paraenses, uma busca de um pequeno grupo de obstinados em pesquisar, catalogar e difundir os filmes que trazem em suas imagens e sons as memórias do Pará, preservando, assim, a história dos paraenses.

Serviço:
Exposição Linha do Tempo: 60 Anos de Cinema Paraense
Data: 12 de junho de 2016
Local: Galeria Elétrica, localizada na Rua Frutuoso Guimarães, 602 – Campina.
Horário: 10h às 20h
Mais informações:  Site Cinemateca Paraense, Evento no Facebook.
E-mail para agendar visitações: cinematecaparaense@gmail.com

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Filme do mês // Dez.2015 – “Outubro.Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro

12291063_1273687232658287_7399152472181591060_oCompartilhar vídeos é um gesto de afeto e uma intuitiva ação de preservação da memória. Tive a prova dessa constatação no no dia 09 de Dezembro quando assisti no Cinema Olympia, que dispensa argumentos de sua importância histórica e cultural em Belém, a primeira exibição pública do documentário colaborativo “Outubro. Segundo Domingo” de Larissa Ribeiro com produção da Rede Cultura de Comunicação. Foi uma sessão emocionante pra mim e não apenas por conta do apelo do Círio de Nazaré, tema que nunca se esgota tamanha a complexidade da manifestação, mas por ver na grande tela do cinema um sucessão de vídeos em sua maioria gravados por dispositivos móveis. Carregam em sua poética uma subjetividade e uma naturalidade que uma equipe de cinema dificilmente consegue apesar de muitas vezes ter uma imagem tremida e um som ruim, gerando a dúvida entre a exclusão e o compartilhamento da nossa memória.  Nesse sentido escolher compartilhar é escolher guardar.

Nunca se fez tanto vídeo e nunca os processos de realização e distribuição audiovisual foram tão democráticos. São milhões por dia subindo para a nuvem e para as redes sociais, muita tosqueira claro, mas também culinária, games, ativismos, festa de aparelhagem, denúncias, gatinhos fofos e bebês comendo papinha. Pra que tanto vídeo meu Deus?! Para que nos (re)conheçamos enquanto gente, que vive em um mundo sem luz direcionada e rebatida, sem microfone de lapela, sem decoração de set, maquiagem ou figurinista. Esses vídeos reunidos no filme de pouco mais de 25 minutos de Larissa Ribeiro contam a história da nossa época e cada um deles encadeado nesta narrativa diz muito sobre nós enquanto gente. A provocação do filme era compartilhar vídeos com a hashtag #meucirioeassim ou enviar na plataforma do projeto http://ciriodoc.com.br/. Essa dinâmica proposta podia funcionar, ou não. E funcionou.

O filme feito a partir do projeto se destaca tanto pelo ineditismo da proposta quanto pela desmitificação do documentário audiovisual formal, coisa que Eduardo Coutinho fez de forma contundente ao revelar o bastidor da própria produção, e pela ousadia de romper, ou pelo menos não ter medo de tentar, com um padrão estabelecido pela ficionalização do documentário. Outro grande mérito do filme é ser um dos poucos exemplos de cinema de arquivo em nossa filmografia, que encara o todo o espectro da produção audiovisual como matéria prima de sua realização, uma opção narrativa que diz muito sobre a capacidade do realizador como pesquisador, se desprendendo de uma estética, uma gramatica própria, pra desvendar os subterrâneos das imagens.

Pedi pra Larissa responder duas perguntas sobre esse processo.

Como surgiu ideia, o desafio de propor um filme sem câmera, de arquivo, contando com as imagens de colaboradores?

O projeto está baseado no “Life in a Day”, doc sobre um dia na vida do planeta terra, feito com material de pessoas do mundo todo, produzido pelo Ridley Scott. Mas esse é um produto de muitos. É que quando a tecnologia vira hábito a gente acaba acostumando a não pensar sobre ela, porque é cotidiana pra gente. É aquele velho exemplo da criança que tenta manusear a revista como se fosse uma tela touch. A tecnologia é uma forma, que se molda ao uso que fazemos dela. Acredito profundamente nas experiências. Criar é sobre experiências. A sua e a do outro e como elas podem conversar entre si. Elevamos isso a uma grande potência quando apertamos em compartilhar. É o que tento buscar nos meus projetos. É o que busco aprender. Contar dessas novas formas é um caminho sem volta e é incrível percorrê-lo. E foi muito especial que a iniciativa de concretizar um projeto dessa tipo tenha vindo de uma emissora pública, a TV Cultura. As experimentações devem nascer nesses espaços. Então a pergunta com esse projeto foi : o que pode sair da experiência de cada um? Não tinha a menor ideia. Se seria um curta, um longa, um videoclipe. A linguagem é líquida. O bom então foi poder provar. Óbvio que quando você constrói esses projetos, especialmente pelo tempo curto de pós produção que já sabia que teria, é tentar acertar no modo como você pede. Ter uma linha básica. A nossa foi uma muito simples: a cronologia. Meia noite a meia noite. O mais bacana foi conversar com as pessoas e ver o nível de identificação delas. Muitas falaram isso. Porque um pouco cada um sentia um pedaço do seu próprio Círio nas histórias que estavam ali.

Como foi o processo de curadoria e edição desse volume de imagens brutas?

Foi assistir muita e muitas vezes o material bruto. Levantar e fazer outra coisa, para poder pensar melhor. Retomar o trabalho e pouco a pouco ir encaixando as peças. Aqui a cronologia foi importante porque ajudou muito a dar a base. Muito importante também mostrar, outros olhares que te ajudam a ver o que não vês mais. Escutar a opinião do outro e seguir. Depois aquela velha pena de deixar uma imagem boa de fora, mas saber que talvez ela não contaria o que precisas em determinado momento. Mas está ai. Depois fiquei pensando que uma experiência bacana seria disponibilizar o material bruto e ver que cortes as pessoas fariam do filme. O mundo é mash up, não? A edição que cada um pode dar. Mas isso já é outro projeto (risos). Acredito que fica é o motor da experiência. Saber que podemos provar esse método com muitos outros assuntos e sobretudo seguir experimentando.

Sobre a realizadora:

Larissa Ribeiro é Transmedia Storyteller e Produtora Audiovisual. Integrante da primeira geração do Curso de Televisão e Novos Meios, da prestigiosa Escola Internacional de Cine e TV de San Antonio de los Baños, Cuba (EICTV). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará, região amazônica do Brasil, aonde foi produtora, roteirista e diretora na TV Cultura do Pará. Trabalha com desenvolvimento de projetos para Cinema, Televisão, Internet, além de produtos híbridos e multiplataforma.

 

 

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Fusca 2015

 Confira a mostra oficial do FUSCA 2015. Foram 24 Inscritos no FUSCA 2015. Confira a lista completa e a mostra oficial do Festival.

FICÇÃO
PAULO HENRIQUE ALVES – “FILHOS DA RUA”
ROMÁRIO FERNANDES – “O QUE VOCÊ FARIA POR AMOR”
LUCIANA MONTEIRO – “ENTRE A PAZ E O PERIGO”
GILSON SILVA – “HORAS”
SIDCLEITON ALVES – “MÃE MATINTA”
GILMAR MIRANDA PRETTI – “O AUTO DA NAZINHA”

DOCUMENTÁRIO
LEONARDO AUGUSTO – “SEBÁ TAPAJÓS E O STREET RIVER”
MATEUS ALMEIDA- CORDÃO DA BICHARADA DO MESTRE ZENÓBIO
KAMILA NASCIMENTO – “MARGARIDAS DO PARÁ: GUARDIÃES DA DIVERSIDADE”
PAULO LEONARDO SILVA – “SOCIEDADE HIPERMODERNA”

VÍDEO PUBLICITÁRIO
LUCAS MORAGA (UNAMA)- INDIE ART
KÁSSIO GEOVANE – “FADO MESTIÇO”

VÍDEO NINJA
LEONARDO AUGUSTO – “SAMPLEADOS”

VIDEO CLIPE
JEFFERSON CUNHA – “DANIEL LIMA – LENÇÓIS DE CETIM”
CARINE MOARA – “VIVIANE BATIDÃO GRITO SEU NOME”
TAINAH VILHENA – “A POBREZA”
PATRICK CARVALHO – “BEM MELHOR”
FÁBIO CADETE – “SOU PARÁ POP”
GILMAR PRETTI – “EDUARDO E MÔNICA PARAENSE”

 VÍDEO MINUTO
MATEUS ALMEIDA – “ELSA”
LAÍS CARDOSO – “PSICONAMORADA”
LUCAS MORAGA – “MARTES”
JÉSSICA MENEZES – “O DESPERTAR”
JONAS AMADOR – “UM MINUTO”

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Teaser de “A ORLA” novo filme de Mateus Moura

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“Orla” narra a estória de um assassinato em plena orla de Icoaraci. Wanderlei vem “acertar as contas” com Ramon, ex-bandido e traidor nato. A caminhada que precede o crime é acompanhada de um diálogo esclarecedor e enigmático, que revela e oculta as causas e as nuances da relação destes “velhos companheiros”.

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Filme do mês // Out.2015 – ERNANI CHAVES – ALÉM DO MURO de Darcel Andrade

Uma homenagem  ao professor e cineasta Darcel Andrade, o filme do mês é um documentário em forma de diálogo entre o realizador e o filósofo Ernani Chaves que narra um percurso histórico, filosófico e poético por Berlim.

Título “Ernani Chaves Além do Muro __ Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de mudanças”, Documentário, Produção: Uni Escolas Cinema. Diretor/ Produtor: Darcel Andrade.  Roteirista: Ernani Chaves. Editor/montador: Sávio Palheta. Diretor/músico: Artista de Rua em Berlim. País, Região, Estado de Origem: Brasil e Alemanha. Ano de Produção: 2013. Duração:
33 min.

SINOPSE:
“Ernani Chaves – Além do Muro: Memórias de um Filósofo em uma Alemanha de Mudanças”, gravado em Berlim em janeiro de 2013, na oportunidade em que este filósofo brasileiro, nascido na cidade de Soure, Ilha do Marajó, Pará, Amazônia, completa 25 anos de pesquisa Foucoaultiana na Europa e Brasil, dialogando com Walter Benjamim e Nietzsche. O filme fez uma pré-estreia na programação de lançamento do livro ‘Michel Foucault e a Verdade Cínica’, em novembro do mesmo ano em Belém, com a participação de uma seleta plateia de pesquisadores, fãs e críticos de cinema. O filme é um encontro de duas percepções que se complementam como pintura e moldura na harmonia de um diálogo entre o protagonista Ernani Chaves e o diretor e produtor Darcel Andrade. O primeiro é narratário que descreve Berlim a sete graus abaixo de zero e que serviu de cenário com seus personagens históricos na lembrança de filmes clássicos como ‘Asas do Desejo’, ‘O Céu sobre Berlim’ e outros, os quais revelam uma Alemanha de transformações, alvo do pensamento de filósofos contemporâneos e cineastas, sendo Wim Wenders um deles; o segundo é um realizador audacioso e aprendiz que faz do seu cinema instrumento de conteúdos com temáticas sociais ao utilizar uma simples hand cam, e consegue captar os nobres sentimentos do filósofo e sua relação afetiva com a cidade de Berlim. As memórias aqui reveladas, são materializadas com vozes e inserções de clássicos do cinema mundial.

Sobre o realizador

photoDarcel Andrade

Doutoramento em Antropologia na Universidade Técnica de Lisboa, com estudos específicos em Migrações Transnacionais, Desigualdades e Cidadania, Poder, Cultura e Identidades, Modelos de Desenvolvimento Econômico, Métodos Qualitativos em Pesquisa, Projetos de Pesquisa; na mesma Universidade, é colaborador das linhas de pesquisa em Mobilidade, Cidadania e Desenvolvimento – do Laboratório de Pesquisa MobCid, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Polítcas – ISCSP/UTL; No Brasil, Doutoramento como Aluno Especial nas disciplinas de Antropologia Social e do Desenvolvimento e Gestão Ambiental pelo Núcleo de Estudos Avançados da Amazônia da Universidade Federal do Pará – NAEA/UFPA; Na mesma Universidade, Doutoramento como Aluno Especial nas Disciplinas Análise do Discurso Narrativo e Linguagem e Interpretação: uma introdução ao projeto teórico de Clifford Geertz no Instituto de Filosofia e Antropologia; Mestrado em Educação na Linha de Pesquisa Saberes Culturais e Educacionais da Amazônia, pela Universidade do Estado do Pará – UEPA; tem três Especializações: SEMIÓTICA E CULTURA VISUAL – UFPA; DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas; e RECURSOS HUMANOS EM EDUCAÇÃO pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE; graduação em EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, com habilitação em Artes Plásticas e Licenciaturas Plena e Curta, pela Universidade Federal do Pará. Atuou como docente da Escola Superior Madre Celeste – ESMAC; Atualmente é colaborador do Grupo de Pesquisa Cultura e Memórias Amazônicas da Universidade do Estado do Pará – CUMA/ UEPA, e Coordenador Executivo do Projeto de Educação Audiovisual e Extensão Cineclubista Uni Escolas Cênicas de Teatro e Cinema, da mesma Universidade, Capus Vigia de Nazaré; faz parte do Grupo de Pesquisa em Educação Rural da Amazônia – GEPERUAZ – UFPA e realiza projetos de formação no Núcleo de Educação Popular Paulo Freire; é docente de Instituições do Ensino Superior – IES dos Estados do Pará e Paraná, onde ministra as disciplinas de Metodologia de Pesquisa, Didática, Ética e Humanizaçã; tem experiência na área de cinema e teatro com prêmos nacionais e regionais; é produtor independente de filmes de caráter socioeducacional, documentário e ficção, com temas do imaginário do homem amazônico, rural e urbano, com foco antropológico e educacional em escolas e comunidades. Estuda Linguagem audiovisual; saberes do homem marajoara no Museu do Marajó, Amazônia Brasil. Mais, verificar no endereço: http://www.uniescolascinema.blogspot.com